A CASACOR Minas nos convidou para uma conversa sobre o livro Maria Lira, na 31ª edição do evento, com tema “Mente e Coração”. No dia 23 de setembro, o auditório da PUC Minas Lourdes recebeu Fernando Ticoulat, fundador da Act Arte, para uma conversa com Eduardo Prattes, responsável pelos eventos culturais da CASACOR Minas.
Mente e Coração
Entre 15 de agosto e 6 de outubro, a mostra “Mente e Coração” ocupou o edifício da PUC Minas Lourdes, marco Art Déco dos anos 1940, projetado pelo italiano Raffaello Berti, tombado e integrante do Circuito Liberdade. Foram 40 ambientes assinados por 54 profissionais de arquitetura, design e paisagismo, além de jardins, lojas, exposições e uma estrutura gastronômica pensada para estender a permanência do visitante.
“Mente e Coração” nasce da pesquisa anual de macrotendências da CASACOR e convida profissionais e o público a pensar a casa como espaço de cura e autocuidado, diante do excesso de informação e das angústias trazidas pela inteligência artificial no cotidiano.

A artista do Vale do Jequitinhonha
Maria Lira nasceu, cresceu e vive até hoje em Araçuaí, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Dessa paisagem vêm os elementos de sua obra: o rio que corta a cidade fornece a argila, os pigmentos e as pedras que ela usa, e os animais da região aparecem transformados por sua imaginação.
Lira começou a produzir nos anos 1970 com máscaras de cerâmica, inspiradas em imagens e culturas africanas e indígenas. A partir dos anos 1990, construiu o conjunto pelo qual se tornou mais conhecida: a série Meus bichos do sertão. São pinturas de animais imaginários feitas com pigmentos naturais, ora sobre papel, ora sobre seixos rolados, pedras que o rio entrega.

Afeto pelo território
Publicado em 2024 pela Act Arte, o livro Maria Lira celebra os 50 anos de trajetória da artista. Reúne textos de Rodrigo Moura, que também assina a organização, ensaios de Luciara Ribeiro, Luisa Duarte, uma cronologia desenvolvida por Yasmin Abdalla, que edita a publicação ao lado de Marina Dias Teixeira. A publicação apresenta ainda uma seleção de obras de Lira, fotografias históricas e trabalhos desenvolvidos junto a Frei Chico, grande parceiro de Lira, e com quem a artista fundou o Museu de Araçuaí.
No ensaio de apresentação, a curadora Luisa Duarte define a publicação como testemunho de um universo ligado aos saberes ancestrais da terra e como um capítulo exemplar de uma arte contemporânea brasileira que, enfim, germina das raízes do próprio país.
Na obra de Lira, mente e coração caminham juntos: a técnica herdada de gerações e o domínio dos materiais da terra se unem ao afeto pelo território, pela memória e pelos bichos imaginados.
Para a Act Arte, apresentar o livro em Belo Horizonte, cidade onde Lira passou a expor com regularidade nos anos 1980, foi uma forma de aproximar a obra de quem também acredita que a casa também seja lugar de pertencimento e acolhimento, onde a memória do lugar de origem está presente no cotidiano.
