
– Por Fernando Ticoulat
Estratégia e riscos para as galerias brasileiras
Já se perguntou quanto do faturamento de uma galeria depende de apenas um ou poucos artistas? De acordo com a 7ª Pesquisa Setorial do Mercado de Arte Brasileiro, a mediana de artistas representados por cada galeria é de 17, sendo 10 homens e 7 mulheres. Ainda que esse número mostre uma variedade de talentos, é comum que um grupo reduzido responda por boa parte das vendas.
Atingir sucesso comercial não é um dado adquirido. Poucos artistas atingem esse patamar mas, muitas vezes, o lucro obtido com a venda de suas obras é investido no desenvolvimento de novos talentos, em um processo de subsídio cruzado. Esse mecanismo, que pode ser identificado tanto no Brasil quanto em outros países, equilibra o portfólio das galerias e incentiva a renovação contínua.
Segundo os dados da Pesquisa Setorial, o artista mais vendido de uma galeria brasileira costuma ser responsável por cerca de 25% de sua receita. Em nível internacional, esse índice chega a aproximadamente um terço, revelando um grau maior de dependência em outras regiões.
Já ao analisarmos os três artistas mais vendidos, constatamos que eles respondem, em média, por 51% do faturamento das galerias nacionais, número próximo aos 53% registrados na pesquisa global. Além disso, 20% das galerias brasileiras informaram que seus três artistas de maior sucesso representam dois terços ou mais do total de suas vendas.
Essa concentração pode ser positiva, pois o sucesso de um “artista carro-chefe” gera recursos para impulsionar outros nomes. No entanto, há riscos nessa dependência: mudanças nas preferências do mercado, alterações nas tendências artísticas ou até mesmo a saída do artista para outra galeria podem desestabilizar seriamente as finanças e a estratégia de galerias cujas receitas sejam concentradas em poucos artistas.
Embora essa dinâmica de concentração seja um fenômeno global, os dados indicam que as galerias brasileiras tendem a ser menos propensas a focar em um único artista. Esse equilíbrio favorece um crescimento mais sustentável e ajuda a manter a dinâmica do mercado de arte sempre ativa.
Os dados apresentados neste artigo foram reunidos pela 7ª Pesquisa Setorial do Mercado de Arte Brasileira, promovida pela Associação Brasileira de Arte Brasileira (ABACT) e ApexBrasil, no âmbito do projeto Latitude, sob assessoria técnica da Act Arte.
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