O peso do mercado secundário no Brasil

Mar 13, 2025
O peso do mercado secundário no Brasil
– Por Fernando Ticoulat

 

Você sabia que cada vez mais galerias do mercado primário que integram a Associação Brasileira de Arte Contemporânea estão expandindo sua atuação para o mercado secundário?

A 7ª Pesquisa Setorial do Mercado de Arte aponta um aumento significativo das receitas oriundas do mercado secundário de 2018 a 2024, entre as cerca de 50 galerias associadas à Abact que responderam à pesquisa. Mas por que isso é relevante para o setor?


Mercado Primário x Mercado Secundário

 

No mercado de arte, destacam-se principalmente dois segmentos: o mercado primário e o mercado secundário. Antes de abordarmos a evolução de cada um, entenda como eles operam:

O mercado primário abrange a primeira venda de uma obra recém-criada, realizada diretamente pelo artista para o comprador, geralmente por meio de galerias. Ele é fundamental para a descoberta de novos talentos e para a circulação de novas obras no mercado, garantindo a constante renovação do cenário artístico.

Já o mercado secundário trata da revenda de obras que já foram adquiridas anteriormente. Essas transações são intermediadas por colecionadores, galerias e casas de leilão. Esse segmento é importante para proporcionar liquidez e valorização das obras, funcionando como um importante indicador da relevância e do reconhecimento de um artista.

Nos últimos anos, observamos que muitas galerias que operavam apenas no mercado primário passaram a se desenvolver cada vez mais no mercado secundário, revendendo obras de artistas que já eram representados no segmento primário. Essa é uma estratégia que permite que as galerias diversifiquem seus modelos de negócio e fortaleçam ainda mais a posição de seus artistas no mercado.

 

  • Em 2018, apenas 39% das galerias associadas à Abact relataram mais de três quartos de receita vinda da revenda de obras. Em 2024, esse percentual cresceu para 60%.

  • No mesmo período, a fatia de galerias para as quais mais de 75% das vendas vem do mercado secundário saltou de 13% para 20%.

 

 

O que isso significa?

Esses dados refletem um amadurecimento gradual do setor de revendas, consolidando o mercado secundário como uma fonte estratégica de receita.

Nesse sentido, a pesquisa mostra que galerias que atuam em ambos os segmentos alcançam faturamentos mais altos. Entre as que trabalham tanto no mercado primário quanto no secundário, 37% registraram vendas superiores a R$ 15 milhões. Em contrapartida, apenas 8% das galerias focadas exclusivamente no mercado primário atingiram esse patamar. Ou seja, abraçar o mercado secundário pode ser um fator decisivo para ampliar oportunidades de negócio, aumentar a liquidez e garantir uma receita mais estável ao longo do ano.

Enquanto o mercado primário permanece essencial para lançar novos talentos, é cada vez mais evidente que o mercado secundário de arte desempenha um papel fundamental na sustentabilidade de muitas galerias no Brasil. A tendência de crescimento é clara, e enxergar o potencial dessa estratégia de diversificação pode ser o diferencial entre o sucesso e a estagnação no setor.

Os dados apresentados neste artigo foram reunidos pela 7ª Pesquisa Setorial do Mercado de Arte Brasileira, promovida pela Associação Brasileira de Arte Brasileira (ABACT) e ApexBrasil, no âmbito do projeto Latitude, sob assessoria técnica da Act Arte.

Quer saber mais sobre como fortalecer sua presença no mercado de arte e aproveitar as oportunidades do mercado secundário? Fale com a gente!