Bárbara Wagner & Benjamin de Burca: cinema, música e política nas margens do eixo hegemônico

Apr 27, 2026
Bárbara Wagner & Benjamin de Burca: cinema, música e política nas margens do eixo hegemônico

Na encruzilhada entre jornalismo, cinema e artes visuais, uma coordenada comum une a recifense-brasileira Bárbara Wagner e o irlandês-alemão Benjamin de Burca: a vontade de investigar artística e politicamente a produção de cenas musicais fora do eixo hegemônico. Essa investigação produz um corpo de trabalho — filmes curtos, fotografias e instalações — de alta voltagem formal, estética e política, que questiona os modos tradicionais de se ver e ouvir uma obra de arte.

Um método próprio de investigação

Wagner & de Burca iniciaram sua parceria em Recife, onde realizaram seu primeiro trabalho em 2013. Desde então, expandiram sua atuação para outros cantos do Brasil e para países como Canadá e Alemanha. O que une essa trajetória é um método: a dupla se passa meses imersa nos contextos culturais que documenta, desenvolvendo uma abordagem participativa que coloca os artistas diante das câmeras em total colaboração. Dividem direção, roteiro e trilha sonora com os protagonistas de cada projeto. A linha entre retrato e sujeito retratado se apaga deliberadamente.

Essa lógica participativa conta com o apoio de parceiros de longa data — como o diretor de fotografia Pedro Sotero, o maestro e produtor musical Carlos Sá, e o editor e designer de som Nicolau Domingues.

Frevo, brega e spoken word

Em Faz que vai (2015), a dupla aborda a preservação do frevo enquanto imagem, patrimônio e produto — um filme sobre o que acontece quando uma expressão cultural viva é transformada em bem tombado. Estás vendo coisas (2016) retrata a indústria de videoclipes do brega music em Recife, investigando a relação entre produção local, identidade e mercado. Já Rise (2018) acompanha o movimento de spoken word fundado pelo poeta canadense Randell Adjei, Reaching Intelligent Souls Everywhere — e sua chegada ao Brasil.

Em cada um desses trabalhos, a música não é pano de fundo: é o centro de uma investigação sobre como comunidades constroem identidade, resistência e visibilidade a partir do som.

Formato como posição

O trabalho de Wagner & de Burca não se limita ao conteúdo — a forma é também argumento. Seus filmes e instalações de alta voltagem estética propõem maneiras outras de ver e ouvir, desafiando os modos tradicionais de recepção de uma obra de arte. A câmera não observa: participa. O resultado é um corpo de trabalho que borra fronteiras entre documentário e ficção, entre palco e set, entre artista e obra.

Bárbara Wagner & Benjamin de Burca em Máquina de Ritmo

O perfil de Bárbara Wagner & Benjamin de Burca, escrito por Yasmin Abdalla, integra Máquina de Ritmo - Som e Música na Arte Brasileira, publicação da Act Arte que mapeia artistas cujas práticas atravessam artes visuais e música. No caso da dupla, essa travessia é o próprio método: a música é sempre ponto de entrada para investigações mais amplas sobre cultura, política e identidade.

Saiba mais sobre o livro Máquina de Ritmo - Som e Música na Arte Brasileira